sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Dia de visita
Semana cheia no PSF. Aos poucos, as coisas vão se ajeitando, as ‘novas’ caras vão ficando conhecidas e começo a criar uma rotina. Hoje foi dia de visita domiciliar.
A visita é uma ferramenta do Programa de Saúde da Família para dar assistência aos pacientes que não conseguem se deslocar até o Centro de Saúde. Na maior parte, são pacientes idosos acamados ou com mobilidade reduzida. Para o médico, é uma oportunidade única de conhecer as condições de vida de seus pacientes.
Como fiz visitas durante a faculdade, sabia que seria um momento delicioso para mim, de maior intimidade com os pacientes e suas famílias. Começamos a tarde errando a casa e pedindo desculpas... Pude observar o quanto são comuns as casas de quintal de terra batida e sem acabamento. Meus pacientes, para minha grande alegria, eram muito bem cuidados, independentemente das condições econômicas.
Numa das casas, fui lavar as mãos e descobri um banheiro caprichosamente adaptado à paciente. A casa era simples, ainda em construção, mas fizeram o vaso do banheiro mais alto, forrado, e com barras laterais para facilitar para a paciente. Fiquei encantada! Tão raro ver pessoas se lembrando de adaptar a casa para o idoso... Preservar a independência do idoso é gratificante!
Em outra casa, tive outro momento delicioso. Ao examinar o paciente, um dos passos é auscultar os batimentos do coração. Esse processo é feito em quatro pontos: um à direita e três à esquerda, no tórax. Avisei a uma paciente de 79 anos que eu ia ‘escutar’ o coração dela, e automaticamente coloquei meu esteto no lado direito. Ela riu inocentemente e abanou a cabeça: ‘Mas filha... o coração é do outro lado!’.
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Marcella deveria se chamar Rosa, não por causa da flor, até poderia por causa da flor, mas Rosa de Guimarães. Quer escrever tanto quanto curar e tratar.
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