quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Sô Ozoro

    Estava atendendo a um paciente chamado Osório. Uma figura: baixo, bigodudo, sorrisão simples. Veio aos quase setenta anos para investigar uma hipertensão e tomar os remédios que "a senhora acordar comigo". Consulta deliciosa, entremeada de pequenos casos de quem viveu 'tudo quanto há'. Eu ia conversando com ele e pensando por qual motivo o nome dele me soava tão familiar.
    Sô Ozoro pra todo lado... De onde conheço esse nome?
    Ao final do exame, sento Sô Ozoro na maca: 'Aaaaah, o nome do senhor é igual ao do moço que escreveu o hino brasileiro!'. Sô Ozoro me olha de lado e sorri, também de lado: 'Pois é, dotôra. Quando eu era menino, na escola, ouvia o hino, pensava que era pra mim e ficava tooodo contente.' Fechou os olhos e gargalhou. Também gargalhei, pensando numa criança de bigode ouvindo o Hino Nacional.

(O paciente me autorizou a contar essa história.)

Nenhum comentário:

Postar um comentário