terça-feira, 13 de agosto de 2013

Voltando pra Morada

Pediram-me um diário da minha vida aqui em Morada. Deliciosamente, diversos amigos vêm me cobrado que eu escreva no blog. Os últimos meses de faculdade ocuparam meus pensamentos de tal forma que nem cartão de aniversário escrevi. Agora já instalada e com todo o tempo que uma cidade pequena oferece, posso escrever. Quando me formei, o parabéns mais bonito veio de um amigo: ‘Obrigado por se formar, estamos precisando de médicos como você’. Agradeci em seco, julgando o elogio o mais superlativo que alguém poderia oferecer. Chegando aqui, ouvi agradecimentos por ter vindo e novamente abaixo a cabeça. Saber que as pessoas pensam assim de você é uma grande responsabilidade. Encontrei Morada Nova como a deixei, seis meses atrás. A sensação agora é outra. Lembro de uma frase do Mandela: ‘Nada como voltar a um lugar que continua igual para perceber o quanto mudamos’. Não adquiri nenhum superpoder, não! De repente, não sinto mais a leveza de ser estudante, de poder gastar a tarde na praça tomando um picolé de milho, de sujar o pé de terra, de curtir o arrocha daqui, de rir alto, de gastar vinte minutos de uma consulta discutindo o quê a pessoa planta em seu quintal. As pessoas me tratam de forma mais formal e em seus olhares, vejo curiosidade, expectativa. Gostaria de saber o que cada um pensa quando me deseja boa sorte... Amigos me param na rua ‘não acreditei que você vinha!’ Estou muito feliz. Voltando para casa, de certa maneira.

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